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Salário e Valorização dos Árbitros de Muaythai na Tailândia: Um Olhar Além do Brasil

Respeito cultural, prestígio social e a realidade financeira dos juízes do esporte.

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Publicado em 18/09/2025

Alguns meses atrás, o canal gaúcho Resenha Muaythai — transmitido diariamente no YouTube e reprisado no Spotify — trouxe à tona um debate necessário: a valorização dos árbitros dentro da modalidade.

Entre os pontos discutidos, destacou-se um problema recorrente em eventos nacionais: o acúmulo de lutas designadas a um mesmo árbitro, seja lateral ou central, o que gera desgaste físico e mental. Esse esgotamento, segundo especialistas, pode estar na raiz de erros que seriam evitáveis em condições ideais de trabalho.

Reprodução: Integrantes do Resenha Muaythai

Reprodução: Integrantes do Resenha Muaythai

A questão é: essa realidade se restringe ao Brasil? Ou será que na Tailândia, berço do Muaythai, os árbitros também enfrentam dilemas semelhantes? Eles são bem pagos? Há valorização profissional?

O status do árbitro na Tailândia

Para aprofundar essa reflexão, o AcervoThai ouviu profissionais ligados diretamente aos estádios tradicionais de Bangkok. Assim como no Brasil, a remuneração na Tailândia varia conforme o evento: alguns estádios pagam uma diária fixa, outros remuneram por horas ou por número de lutas arbitradas.

A grande diferença, porém, está no prestígio social. Na Tailândia, o árbitro é respeitado como autoridade máxima não apenas nas regras, mas também como guardião da integridade dos lutadores. Uma arbitragem ruim pode comprometer uma luta inteira ou manchar um evento, o que reforça o peso da responsabilidade atribuída a esses profissionais.

Quando erros acontecem — afinal, são inevitáveis — o processo tende a envolver análise e debate, com foco no aprimoramento contínuo, e não apenas em críticas.

Quanto ganham os árbitros tailandeses?

Dados do SalaryExpert apontam que árbitros em Bangkok recebem, em média, ฿354.208 por ano (cerca de ฿170 por hora que seria equivalente a R$28,39 dependendo do câmbio), além de bônus anuais próximos de ฿4.746. Vale ressaltar que esses números abrangem árbitros em geral, não apenas os do Muaythai.

Em grandes organizações internacionais, como o ONE Championship, a realidade é diferente: árbitros de elite podem receber contratos exclusivos e salários muito mais altos. O francês Olivier Coste, árbitro principal da organização, já declarou em entrevista à Siam Fight Mag que sua função é “muito bem remunerada” pelo ONE Championship.

Realidade dos árbitros freelancer

A maior parte dos árbitros de Muaythai na Tailândia atua de forma freelance, recebendo por evento. A remuneração depende do prestígio da organização, da localização e da experiência do profissional. Muitos acumulam funções paralelas — como treinadores, instrutores ou até trabalhos fora do esporte — para garantir uma melhor estabilidade financeira.

Comparativo com o salário médio nacional

Em 2025, o salário médio mensal na Tailândia gira em torno de ฿15.900. Considerando que árbitros freelancers nem sempre têm participação em grandes eventos, sua renda mensal pode ficar abaixo da média nacional, especialmente fora do circuito internacional ou dos grandes eventos.

Essa diferença entre prestígio cultural e retorno financeiro mostra como, mesmo no berço do Muaythai, o trabalho dos árbitros ainda enfrenta contradições: respeitados como guardiões do esporte, mas muitas vezes remunerados abaixo de sua importância.

Volume de eventos e quantidade de lutas

Um aspecto que também merece atenção é a diferença no formato e volume de lutas por evento entre Brasil e Tailândia. Enquanto nos estádios e eventos tailandeses um card costuma variar entre 7 e 12 lutas, no Brasil ainda persiste a cultura de montar eventos longos, com média de 20 a 60 combates em uma mesmo evento.

Esse excesso representa um desafio direto para a arbitragem. Com equipes geralmente reduzidas, árbitros precisam atuar em sequência, acumulando funções tanto em lutas amadoras e estreantes quanto em combates profissionais. O resultado é um desgaste físico e mental que aumenta significativamente a chance de erros — especialmente em confrontos decisivos, onde a atenção deve estar em nível máximo.

Além disso, há um impacto organizacional: cards extensos podem comprometer a experiência do público, tornar a rotina dos atletas mais desgastante e, sobretudo, reduzir a qualidade do trabalho dos juízes. Já na Tailândia, a quantidade mais equilibrada de lutas por evento não apenas favorece o rendimento dos árbitros, mas também valoriza cada combate dentro do espetáculo.

Em outras palavras, o contraste revela que menos pode ser mais: ao priorizar qualidade sobre quantidade, os eventos tailandeses garantem um ambiente mais justo e profissional, enquanto no Brasil ainda existe um caminho a ser percorrido nesse sentido.

Conclusão: Salário e Valorização dos Árbitros de Muaythai

Os árbitros carregam uma missão complexa: garantir que as regras sejam cumpridas, preservar a integridade dos atletas e zelar pela credibilidade do espetáculo. São peças indispensáveis do Muaythai, mas muitas vezes permanecem invisíveis quando se fala em investimento e valorização profissional.

A responsabilidade por essa mudança passa, em grande parte, pelos promotores de eventos. Assim como lutadores e treinadores investem em treinos, cursos e especializações, árbitros também enfrentam despesas constantes para se manterem atualizados e aptos a exercer sua função em alto nível. Exigir excelência sem oferecer condições justas de trabalho é uma contradição que precisa ser superada. Não há como esperar uma arbitragem impecável se quem organiza os eventos não entende que a valorização começa na base: remuneração adequada, equipes completas e reconhecimento profissional.

Durante muito tempo acreditou-se que as transformações no esporte viriam da Tailândia para o resto do mundo. Hoje percebe-se que alguns avanços podem e devem surgir fora de Bangkok, para depois serem reconhecidos e incorporados no berço do Muaythai. Isso inclui uma nova forma de olhar para o papel do árbitro.

Que possamos, como comunidade, compreender que o árbitro não é apenas um acessório do evento. Ele é um funcionário essencial, guardião da justiça esportiva e parte central do espetáculo. Valorizar esses profissionais é valorizar o próprio Muaythai.

 

Material de apoio:
expatica.com/th/work/law/thailand-minimum-wage-2172841
siamfightmag.com/en/interview-with-olivier-coste-referee-best-world-referee-in-2018-and-judge-in-the-prestigious-one-championship-organization/
salaryexpert.com/salary/job/referee/thailand/bangkok

Quem publicou?

Rapha R. Chatsetthanan

Administrador & Fundador do AcervoThai, ex-lutador profissional, desenvolvedor web e consultor de dados. Migrou para a Tailândia em 2012, morou em Bangkok, Phuket, Ubon Ratchathanii, Chiang Mai e Pattaya. Com mais de 12 anos no país de origem do Muaythai, Raphael lutou nos principais estádios e eventos na Tailândia. Com mais de 60 lutas pela Ásia, ele é casado com uma tailandesa, estudante do idioma thai e se dedica a divulgar o esporte no Brasil, para ajudar a nova geração de lutadores brasileiros.
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