Em entrevista ao Portuários Stadium, realizada hoje (6/6), o árbitro e líder da equipe Brazilian Muay Thai, Douglas Fernandes Lopes, compartilhou algumas das experiências vividas ao longo dos quase vinte anos dedicados ao muaythai. Entre os temas abordados, Lopes, após oito meses avaliou a atuação como central durante o duelo entre Tainara Lisboa e Rosemary Amorim em outubro de 2017, como se tornou treinador, principais realizações com o esporte, sonhos e mais. Confira a entrevista na íntegra:
Portuários Stadium: Pra iniciar, gostaria que contasse como foi seu primeiro contato com o muaythai.
Douglas Lopes: Meu primeiro momentos com o muaythai aconteceram por volta de 1999 através de mestre de capoeira “Borracha Negra” que treinava muay com o finado mestre Ney Aguillar na Combat Sport, umas das academias mais importantes do desenvolvimento da luta no Brasil. Mestre Borracha sempre passava alguns treinos de capoeira com chutes nas pernas, joelhadas etc. Às vezes ele e o pessoal mais graduado faziam uns treinos denominados “porta fechada” ao qual participei algumas vezes, tratava-se de sparring mas sem os materiais de proteção de hoje (risos). Nesta época, eu tinha uns 17 anos. Treinar luta com frequência e foco comecei no final de 2001 com Tadeu San Martino, fui um dos primeiros alunos dele, o Tadeu era competidor e também treinava com Mestre Aguillar. Eu treinava capoeira segunda, quarta e sexta e muaythai terça, quinta e sábado.
PS: Eu já o conheci vendo seu trabalho como treinador da Brazilian e árbitro. Porém, acredito que antes disso pode ter havido a experiência como atleta. Se sim, como foi, quantas lutas fez etc., e porque a decisão de ser treinador?
DL: Minha experiência como atleta foi bem curta, na verdade nunca foi um negocio que eu quis, sempre foi aquele lance do amigo ou do professor em perceber que você treina mais sério e se destaca um pouco mais e querer te empurrar para o ringue, nisso fiz três lutas de muaythai (k-1) onde a última foi em 2006 e por vontade própria fiz uma luta de boxe no mesmo ano, das quatro lutas venci apenas uma. Apesar disso, estas quatro experiências me valeram a pena pois nesta mesma época alguns alunos quiseram competir e eu já tinha uma pequena bagagem para inicia-los nos diversos eventos aos quais participamos, e assim eu acabei virando um treinador, devido as ocasiões que foram aparecendo.
PS: Como ocorreu a fundação da equipe que hoje lidera, a Brazilian Muay Thai?
DL: A equipe Brazilian Muaythai foi fundada pelo mestre Ney Aguillar no final da década de 90, escola que fez a base de muitos atletas de ponta que a luta teve até por volta de 2005. Eu acabei assumindo a liderança da equipe após falecimento mestre em 2008 onde meu professor Tadeu San Martino havia migrado há um tempo para a “Never Shake” para continuar a carreira de atleta que dura até hoje.
PS: Depois de assumir como treinador, qual feito você considera de mais importante?
DL: Considero de mais importância quando atuei como córner em eventos internacionais. Em 2008, por exemplo, a Letícia Rojo lutou boxe contra a Uruguaia Cris Namus (assista um trecho aqui). E em 2015, tive o privilégio de vestir o colete de córner e pisar dentro do ringue do “Max Muaythai”.
PS: Pegando o gancho da experiência na Tailândia. Na sua opinião, qual a importância de respirar ares tailandeses para quem vive nesse meio?
DL: Eu vejo assim, o Brasil possui excelente treinadores mas nada melhor do que poder beber a água da fonte, viver a cultura, respirar nestes ares. Acho muito importante este intercâmbio pois nada melhor do que a vivência para podemos atuar com qualidade no meio da luta. Nos 29 dias que ficamos na Tailândia, pudemos treinar muito como nunca havíamos treinado na vida, assistimos muitas lutas no Raja, Asiantic, Channel 7 – e se eu não me engano – Copa da Rainha, creio que no total tenham dado quase umas 50 lutas e isso nos auxiliou dentro da arbitragem, foi um grande curriculum e foi uma experiência fantástica em nossas vidas.
PS: Em outubro de 2017, você foi arbitrou na luta entre a Tainara Lisboa e Rose Amorim onde sua postura como central foi aplaudida por uns e criticada por outros. Depois de oito meses, como você avalia aquele momento?
DL: Esta luta foi uma sinuca de bico, e não tenho dúvidas de que fiz o melhor para a ocasião. De um lado vinha a Rose com uma carreira ascendente, querendo esta chance de qualquer jeito, treinando como nunca e fazendo um trabalho de blindagem mental com um coach. Do outro, Tainara Lisboa com toda sua vivência e experiência fantástica, uma luta dura pela frente e uma fase complicada de sua carreira ao romper o trabalho com o antigo treinador, Sandro de Castro. E por um terceiro, tínhamos ainda o Rodrigo Poderoso ao qual fez a promoção toda do evento em cima desta luta. O público queria esta luta. O muaythai precisava desta luta. E eu deixei acontecer pelas formas mais legais que eu encontrei ali dentro, em nenhum momento a Rose me mostrou o contrário a não ser a vontade de querer se apresentar, cheguei a ter um insight referente ao filme Karatê Kid, a Tainara por sua vez teve um feeling fantástico em não atingir a Rose no local da lesão e foi fazendo o seu trabalho. Esta luta aconteceu da forma que ela deveria acontecer.
PS: Recentemente, seu enteado Vinicius Rojo foi inserido no mundo das competições. Como é pra você vê-lo seguir seus passos e da sua mulher Letícia?
DL: Na verdade, com ele aconteceu mais ou menos igual comigo, por ele estar sempre em eventos conosco os amigos perguntam, influenciam, cobram a tal luta e ele depois de três anos conseguiu realizar a estreia, mas creio que este não sejam os planos dele, vejo ele mais como professor ou futuro administrador de nosso trabalho.
PS: Além de apoiar o Portuários, você também já chegou a ajudar atletas, um exemplo é o Pedro Thai (Puro Thai). Qual a importância de investidores no Muaythai?
DL: Eu sempre fui uma pessoa que gostei de ajudar, em qualquer ocasião. A importância é que ninguém consegue nada sozinho nesta vida, tudo depende desta união entre pessoas para poderem engrandecer e fortalecer o esporte em que vivemos, infelizmente ajudo com pouco financeiramente, consigo ajudar mais com meu trabalho mas seria de grande valia para nosso esporte se pessoas e empresas com um poder aquisitivo melhor, pudessem olhar por nós e estender suas mãos para nos auxiliar neste crescimento brusco em que vivemos, com isso teriam mais oportunidades de trabalho para nossos atletas e pessoas como eu que vivem direta ou indiretamente do muaythai.
PS: Pra fechar, gostaria que contasse um sonho já realizado por conta do esporte e outro que ainda deseja concretizar.
DL: Meu principal sonho foi o de poder largar o trabalho corporativo “carteira de trabalho” ao qual eu trabalhava somente pelo salário e não pelo amor e poder ser remunerado através do que realmente eu gosto de fazer. Ainda tenho alguns sonhos a serem alcançados como o de realizar grandes eventos e o de poder fazer arbitragens fora do País.

Brasileiros Letícia Rojo, Douglas Lopes, Adaylton e Rodrigo treinando na Elite Boxing situado na Tailândia
Se você gostou do trabalho de Douglas, você pode se juntar a ele no Studio Training House, localizada na Rua Cincinato Braga, 795 São Bernardo do Campo, em São Paulo. Para maiores informações contate: (11) 9 9828-4034, ou pelo Facebook. Você também pode acompanhar alguns trabalhos pelo canal no YouTube.















