Há cerca de nove anos praticando Muaythai, Rosemary Amorim, de 28 anos, renunciou o emprego ‘convencional’ para dedicar-se totalmente à carreira de lutadora. Em entrevista, a detentora do cinturão 65 quilos do Portuários Stadium contou sobre as dificuldades do ofício, glórias e planos para o futuro.
O primeiro contato com a modalidade aconteceu por intermédio do líder da equipe Naja Combat Team, Emerson Naja. Na época, Rose já treinava Jiu-jitsu e MMA, quando ela se deparou com a chegada da arte marcial tailandesa onde treinava, se encantou de imediato. Por algum tempo, a atleta seguiu treinando três modalidades, mas, no final decidiu ingressar apenas no Muaythai.
Já nas primeiras experiências no ringue, Amorim, sentiu que era aquilo que queria como profissão pelo resto da vida, porém junto com a paixão veio um dos os problemas mais recorrentes entre esportistas: falta de patrocínio. Além disso, os valores das bolsas também deixam a desejar. “Vejo atletas treinando duro dedicando a maior parte do seu tempo por um sonho que talvez fique pelo caminho por falta de patrocinadores”, lamentou Amorim.

Aulão ministrado por Rosemary Amorim, em Canoas, RS (Foto: Arquivo pessoal)
Como o que recebia em campeonatos era insuficiente para suprir suas despesas, Rose passou a ministrar aulas de Muaythai e foi questão de tempo para começar a fazer sucesso na cidade como professora. O sucesso foi tanto que em parceria com o treinador Fábio Santos fundou o centro de treinamento Guaru Fight. Em pouco tempo de funcionamento, a academia se tornou uma forte potência da modalidade. Para ela, a realização de um sonho.
Questionada sobre os melhores momentos que o esporte a proporcionou, de tantos, a lutadora mal conseguiu pontuar. Rose, finalmente, citou a luta contra a bi-campeã mundial Tainara Lisboa (assista aqui), em outubro de 2017, como fonte de crescimento pessoal e profissional e um dos melhores momentos da carreira até agora.
“Me mostrou que não importa o quanto a vida vai me derrubar, sempre vou levantar com a mesma ou até mais vontade de seguir em frente.”
— Rosemary sobre o combate contra a Tainara Lisboa.

Pesagem do Poderoso, em out/2017 (Foto: Arquivo pessoal)
Atualmente, com 13 lutas e uma única derrota, ela está entre as tops da categoria 65 quilos no País. E para manter-se nas cabeças, dispõe uma rotina de treinamentos agitada, esta consiste em dois treinos por dia, de segunda a sábado, sendo que, ela intercala o Muaythai e a musculação. Para “facilitar” as coisas, o treino matutino é feito no Centro de Treinamento Cobra (CTC), às sete, na cidade vizinha, Santos; o que sugere uma pequena, porém, ‘exaustiva’ viagem todos os dias.
O mesmo dia a dia que a maioria dos homens lutadores, mas sem receber o mesmo retorno financeiro, oportunidades etc. Apesar disso, Rose se mostrou otimista quanto a persistência do machismo na modalidade “os promotores estão vendo que lutas femininas vendem tanto quanto masculinas (…) aos poucos estamos conquistando um espaço que também é nosso”, comentou.
Para o futuro, Amorim tem como objetivo continuar lutando e ampliar os trabalhos feitos em sua rede de academias no Guarujá. Ela partilha do mesmo sonho que a maioria dos praticantes brasileiros, fazer lutas nos famosos estádios tailandeses “meu sonho é lutar fora, conhecer o berço do esporte, a Tailândia”, finalizou.















