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Publicado em 08/01/2019

Atletas de Brasília viajam para diferentes partes do Brasil com dinheiro arrecadado por meio de vendas em semáforos

Por Ana Valente | @aninhadcampos

Há dez anos através de um projeto social Edmar da Costa, líder da equipe Aldeia, localizada em Ceilândia, Distrito Federal, conheceu a arte marcial tailandesa, ou melhor, pensou ter conhecido. Com a denominação de “boxe holandês”, durante seis anos, ele treinou kickboxing achando que estava aprendendo muaythai – aposto que muitos de vocês se identificaram com esse início na modalidade.

Quando chegou numa graduação de instrutor e passou a ministrar aulas, Mazinho, como é chamado pelos amigos, começou a buscar conhecimento além do âmbito de treino. Deste momento em diante, não demorou muito para que ele percebesse que havia algo de errado. Com a descoberta veio também a busca incessante para aprender o verdadeiro muaythai. O líder do projeto que ele participava, porém, não aceitou e acabou desligando-o da equipe.

Na busca pelo conhecimento, ele entrou numa nova equipe, a parceria durou cerca de dois anos, mas em razão de alguns desentendimentos foi interrompida. Mazinho enxergou na experiência uma oportunidade para fundar a própria equipe. Como forma de gratidão pelos seis anos no qual treinou em projeto social, decidiu que iria retribuir o que a ele havia sido concedido: o conhecimento de forma gratuita.

Em 2016 o sonho se materializou, foi inaugurado o Centro de Lutas Aldeia, ali no bairro periférico de Ceilândia Norte, à QNN 23, conjunto E, lote 45/47. No começo, apenas com treinos comerciais. Mas não demorou muito para que iniciasse o projeto social. Desde a abertura, Mazinho se atentou as crianças que ficavam na porta do CT diariamente observando os treinos, estes meninos carentes, que demonstravam interesse, foram os primeiros convidados a treinar de graça.

“Na primeira aula, trabalhei com três alunos, na segunda eles chamaram alguns amigos, os amigos convidaram mais amigos e assim o projeto foi expandindo”, contou o líder da equipe.

Desse modo, o projeto social chegou a atender 22 crianças. Por conta da infraestrutura, Mazinho estabeleceu um perfil e sistema de regras a serem seguidos por seus alunos. Entre os fatores primordiais estão: frequentar o colégio, ter boas notas, não se envolver em confusões e mais. “Com a estipulação de regras, o número de alunos caiu, mas era notável e positiva a mudança de comportamento entre eles”, afirmou Mazinho.

Dia-a-dia para competições
Apesar da pouca idade, os jovens atletas levam uma rotina de gente grande. Quando estão com luta marcada treinam de segunda a sábado, em dois períodos, cada um com aproximadamente 2h30. Dependendo da competição a folga no domingo é revogada. “Nossos treinos seguem os padrões da Tailândia. O diferencial é que oscilamos com alguns treinos de musculação, dirigidos por profissionais da área”.

Infelizmente, a rotina no projeto social para competições fora do estado não se limita a academia, devido à falta de patrocínio, as viagens são custeadas com o trabalho de venda em semáforos – que muitas vezes comprometem os treinos -, rifas, e também apoio dos alunos comerciais. “É muito difícil manter, às vezes até desanima”, confessou. Mas pra eles, desistir não é uma opção.

“Como eu poderia ‘largar de mão’ desses meninos que hoje já cultivam o sonho de serem lutadores profissionais?”.

Tanto trabalho e empenho em equipe vem gerando bons frutos. A grande maioria dos competidores, com cartel de cinco a seis lutas, estão invictos. Entre as vitórias de mais relevância, estão as obtidas no Thai Kids, um marco para toda a equipe “acima da vitória, estar no Portuários foi muito importante, fui com seis atletas, nenhum deles nunca haviam viajado de avião, ou imaginado conhecer a praia”. E também o campeonato da CBMB (Confederação Brasileira de Muaythai e Muay Boran), no qual levaram três atletas para o Mato Grosso, dois foram vice-campeões e um foi campeão brasileiro.

Quanto ao futuro, Mazinho pretende expandir o projeto social e levar os atletas para competir por todo o País “quero que eles adquiram bastante bagagem e ao completar 18 anos alcem voos mais altos, como a Tailândia, por exemplo. Eles como lutadores, e eu como treinador sem dúvidas, muito em breve irei para a Tailândia”.

Interessados em ajudar o projeto podem entrar em contato com o treinador chefe, Edmar da Costa pelo telefone (61) 8123-8593 ou pela página no  Instagram Aldeia Muaythai. Podem ser doados equipamentos (luvas, caneleiras, aparadores etc.), passagens aéreas/terrestres, contribuições financeiras para arcar com hospedagens e alimentação também são bem-vindas.

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