Raquel Bocalão, representante da equipe Steel Team, neste sábado (24), embarcará para a décima luta: uma revanche. No primeiro duelo contra Diana Paulino, da MR Trainning, há pouco mais de um ano, Bocalão venceu. Agora, mais maduras, se reencontrarão na luta principal do “Super Girls”.
A promissora atleta de 27 anos concedeu entrevista ao Portuários e falou sobre o início da carreira, as mudanças na rotina ocasionadas pelo esporte, preparação para a revanche e expectativas para o combate. Confira a entrevista na íntegra:
Portuários Stadium: Você no esporte é algo relativamente novo. Apesar disso, enfrentou e venceu nomes que estão há anos no circuito 60 quilos. Como aconteceu esse primeiro contato com a modalidade e em qual momento decidiu que seria competidora?
Raquel Bocalão: Comecei a treinar porque queria emagrecer, minha cunhada fazia personal de Muaythai e me recomendou. Tive sorte de cair com o mestre Ivam Batista, isso foi em setembro de 2015. No começo, eu era muito descoordenada, não aguentava fazer nada, tudo doía. Eu ia embora brava porque eu era muito ruim e não gosto de ser ruim naquilo que faço. Mas persisti e comecei a ver uma evolução bem devagar. Eu já assistia os meninos se prepararem pra lutar, o mestre Ivam separava os que iam lutar e eu via como treinavam mais forte, tinha muita admiração por eles, os atletas de competição. Quando fui em meu primeiro evento, no começo de 2016, terminei de me apaixonar e se concretizou a vontade de um dia subir no ringue. Quando disse ao Ivam em junho de 2016 ele falou que iria me preparar para lutar no próximo ano. Eu aceitei aquilo na hora, mas em um evento um treinador e árbitro me disse que o tempo para estar pronta só dependeria de mim, se eu me esforçasse, treinasse mais e mais forte seria bem antes do que 8 meses. E, então coloquei aquilo na minha cabeça. Dois meses depois, o Ivam me deu a notícia que ia fechar uma luta pra mim. Foi uma alegria inexplicável ouvir aquilo. Em setembro de 2016 fiz minha primeira luta no Poderoso Muaythai.
Como você enxergava o esporte nas primeiras lutas e como você o vê agora? Sabemos que ser atleta de alto rendimento exige muitas abdicações, quais as principais mudanças que o Muaythai ocasionou em seu dia a dia?
Acho que antes de lutar eu não fazia ideia de tudo há por trás de subir no ringue e se apresentar, todo o sacrifício que é, acho que depois de lutar tenho mais respeito pelo esporte – qualquer esporte – mas ainda tenho muito que entender e aprender. O Muaythai mudou minha vida completamente, além da rotina claro. A disciplina que ele me traz para todos as outras áreas da minha vida é incrível, uma disciplina que nunca tive. Hoje já estou dando aulas de Muaythai, deixando aos poucos meu antigo trabalho e treinos quase 5 horas por dia, tem que abrir mão de muitas coisas, as horas que tenho livre quase sempre acabo optando por descansar. Sempre gostei de sair e encontrar os amigos. Agora perto de luta fica impossível, acabo vivendo pra isso treinar, comer, dormir, dar aulas, trabalhar. Fora tudo isso, minha vida se tornou muito mais saudável, durmo bem melhor, tenho uma alimentação boa, não bebo bebidas alcoólicas, parei de fumar cigarro. Me sinto muito mais feliz comigo mesma.
Depois da ótima campanha em 2017, vai iniciar o ano protagonizando a luta principal do “Super Girls”, as responsabilidades cresceram assim como você também cresceu como lutadora. Como você se sente sobre essa ascensão ‘meteórica’?
Eu sinto exatamente isso maior responsabilidade, eu evolui muito como lutadora em 2017, sei que daqui pra frente as adversárias serão sempre duras. Estou muito feliz por já começar o ano lutando num evento feminino contra uma forte atleta e de escola boa. Minha preparação foi muito forte até porque hoje me sinto na obrigação de fazer uma boa apresentação ao mesmo tempo me sinto mais confiante do que no início.
Como foi feita a preparação para essa luta? Você fez algum trabalho específico pensando no jogo da oponente ou manteve o mesmo padrão de treinamento?
Essa preparação foi uma das mais fortes que já fiz até hoje, eu treinei muito e me sinto forte. Eu lutei com a Diana há um ano, ambas evoluíram muito, então será uma luta diferente da última. Não treinei nada muito específico não, estou bem preparada para qualquer jogo. A estratégia não é muito diferente do que costumo fazer, que é usar minha envergadura a meu favor. Com a volta do Thiago [Thiago Teixeira, campeão mundial de Muaythai] para a equipe ganhamos muito, ele acrescenta demais nos treinos, aprendi muitas coisas novas. O Ivam está na Tailândia então foi uma preparação diferente, o treinador Daniel puxa muito nosso gás e os treinos são bem intensos sempre.
Quais as expectativas para este duelo? O que podemos esperar da sua apresentação?
Minha expectativa é sair vitoriosa mais uma vez. Podem esperar uma guerra, me sinto muito bem preparada, com muito gás e forte.
Foto: Mario Palhares/Foto Pelea















