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Será que lutar no Brasil e na Tailândia é igual?

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Fiz minha primeira luta na Tailândia e gostaria de dividir com vocês o que eu percebi de diferente.

Já começo dizendo que os sentimentos foram iguais. Acordei tranquila e sem o despertador.

Como moro na academia, encontrei o pessoal daqui e depois fui para um café com alguns deles. Não precisou de muito tempo. Umas duas horas depois, começou a aparecer os surtos de nervosismo. Fazendo analogia com as contrações e o parto, quanto mais perto da luta, maior o tempo de ansiedade e medo, e menores os intervalos entre eles.

Quando tenho essa sensação, normalmente na minha cabeça fica passando um letreiro com a seguinte pergunta: “Por que eu estou fazendo isso?” – Na minha segunda luta, se não me engano, eu não conseguia sentir minha perna de tanta adrenalina no corpo. E aqui, aconteceu o mesmo. Eu simplesmente não conseguia sentir.

Poxa, era um medo de não saber o que ia encontrar. Eu não manjo nada sobre postura no clinch, e se ela só quisesse clinchar?

Um dos treinadores da WMC me falou uns dias antes: “Nongnan (minha adversária) é forte, tem um soco forte, joga uns overhands e sempre caminha pra frente. É só você não se assustar que você ganha.”.

Foi dessa frase que surgiu a preocupação de eu levar meu primeiro nocaute estando sozinha no outro lado do mundo. E assim como aconteceu na minha penúltima luta no Brasil, o medo apertou enquanto eu esperava no vestiário. Manja aquela vontade se sair correndo? Hahaha! Mas, sabe, ao mesmo tempo eu estava muito feliz, mas muito mesmo.
Tem uma hora que esse nervosismo passa, e meu corpo é tomado pela certeza que eu estou fazendo exatamente o que quero fazer, mesmo não sabendo responder o porquê.
Outra coisa em comum que percebi entre estar no Brasil e estar aqui é uma língua universal que o Muaythai tem. Estava receosa com o fato de meu corner ser composto por 3 caras que eu conheci 3 semanas atrás que falam inglês com sotaque tailandês. Mas ali, durante o combate, a comunicação fluiu.  E eu, ainda bem, mantive o dom de desligar meu ouvido de tudo e manter apenas nos meus treinadores. Deu certo!

Talvez uma coisa que você deva saber é que, no geral, tenho percebido que as primeiras lutas que casam para os gringos são lutas fáceis. Lutadoras ‘thai’ que estão lá apenas pela grana, então ou não estão treinadas, aposentadas ou que se jogam.
Comigo não foi diferente, mas mesmo sabendo dessa possibilidade, eu senti sim todo aquele receio que listei acima.

Tirando o “same same”, algumas coisas novas aconteceram aqui, e é isso que resolvi listar e dividir com vocês. Vamos lá!

Sem pesagem

Primeira vez que luto sem pesagem. Por um lado é bom, você pode comer o que quiser, a vontade. Não fica na neura se vai bater o peso ou não, chega forte.

Mas ao mesmo tempo, eu não tinha a distração de pensar em cortar peso. Pensar mais tempo na luta me deixava mais tempo preocupada. Estava preocupada se ia pegar uma menina muito mais pesada que eu e, também, com o fato de lutar acima do peso que estou acostumada, se isso me deixaria sem gás mais rápido ou mais lenta. Acho que fiquei mais lenta, mas eu não tive problema com gás e me senti forte o tempo todo.
No fim das contas, gostei de ter lutado sem pesagem.

Massagem às 17:00, banho e comida

Em todas minhas lutas no Brasil, eu encontrei minha equipe no caminho ou direto no evento.

Aqui, foi pedido que eu chegasse às 17h na academia para fazer massagem.

Cheguei, ganhei massagem com óleo e pediram para eu fazer uma pequena soltura.

Depois me mandaram pro banho: “Vai tomar banho e depois vai comer.”.  
Não era um simples conselho, eram ordens. 1 minuto que eu ‘panguei’ na academia e não fui tomar banho, já levei bronca de uns três: “vai tomar banho, é bom pro seu corpo! E depois vai comer pra não comer tarde e não passar mal na luta!”.
Detalhe… Eram tipo 17h30 e eu ia lutar lá pelas 22h. Mas quem sou eu pra discutir com eles que aprenderam essa ciência anos e anos na prática?

Tomei meu banho e fui pro restaurante que tem na frente da academia, comer uma sopa de arroz.

Juro, enquanto eu esperava a sopa, a cada 30 segundos aparecia um do outro lado da rua e gritava:: “Paula, tem que comer agora!”. Só o meu treinador, Oh, falou umas 3 vezes!

Hahaha, foi meio neurótico, mas ao mesmo tempo divertido.

Acredito que era pra ter certeza que tudo daria certo. E deu, não senti nem fome e nem passei mal.

O narrador

No estádio tem um cara, que além de anunciar, também narra às lutas.
Como eu já disse, quando entro no ringue eu consigo me desligar de tudo e ouvir apenas as vozes que vem do meu corner, então, isso não me influenciou em nada.

Mas apenas para partilhar uma experiência, um lutador aqui comentou que uma vez levou um corte. Quando viu, seu corpo já estava cheio de sangue e o narrador gritava extasiado: “Blood! Blood! Blood!”. É. Na de emoção precisa manter a calma e o foco mesmo com alguém botando pilha desse jeito.

O apostador

Enquanto eu estava no vestiário, vinham alguns ‘thais’ me sondar. Um, por exemplo, veio na hora que o Oh, meu treinador, estava colocando a luva em mim.

Ele chegou, ficou me medindo por vários ângulos, olhando pra minha perna e falando com o meu treinador. Eu não entendo tailandês, mas eu senti que ele estava fazendo pouco caso. O Oh olhava pra mim com cara de “não liga”, e falava baixinho: “You win!”.
Outro chegou me interrogando, perguntando de onde eu era, quantas lutas eu tinha, se eu já tinha lutado na Tailândia e quantas vitórias.


4 rounds 2 minutos

Outro aspecto diferente é que aqui na várzea, mulheres lutam 4 rounds de 2 minutos.

Lembro que, há um tempo, essa pauta entrou em discussão no Brasil, e lembro que eu não tinha opinião nenhuma já que não tinha muita experiência.

Mas vou te falar que eu curti essa experiência, apesar da luta não ter passado do R3.

Talvez tenha sido porque eu estava realmente preocupada com meu condicionamento físico por conta das doenças que eu tive, mas de fato, 4 rounds de 2 minutos não cansa ninguém! Então dá pra se dar desde o início da luta sem medo de ser feliz.


Posters do card pela cidade

Samui tem 3 estádios: o Samui International Stadium, Chaweng Stadium e o Phetchbuncha Stadium. Cada um promove dois eventos por semana em dias alternados.

Para divulgar suas lutas, espalham cartazes, posters e até caminhão passa pelas praias mais turísticas com nossos rostos estampados.

Ah, no Phetchbuncha, horas antes do evento o caminhão leva os próprios lutadores da noite para dar uma volta! Juro que eu já vi, inclusive, gente batendo aparador na caçamba.

Enfim. Não diferente, eu estava pela cidade com uma foto horrível com os olhos inchados de conjuntivite e acompanhada pela bandeira do Brasil.

É muito incrível mesmo o poder da divulgação. No dia seguinte já fui abordada na rua e na praia. Um português que morou no Brasil chegou a ver o cartaz e me ver na rua. Me caçou no facebook e mandou mensagem falando que queria ir me assistir. É uma loucura. No dia seguinte da luta, a mesma coisa. Pessoas que eu nunca vi na vida vieram me parabenizar. É um tipo de reconhecimento diferente do que eu já vivi no Brasil. É muito louco.


Cobrança

Pra finalizar essa lista, vou ter que contar que senti uma cobrança diferente.
Sim, eu estava me cobrando pra fazer o melhor e sei que meus treinadores também queriam isso de mim, mas a atmosfera aqui é diferente aí do Brasil.

Deixa eu tentar explicar. No Brasil, tentamos sempre nos convencer que ganhar ou perder acontece, o que importa é realmente fazer uma boa luta. Pois é, mas aí me parece que ainda estamos numa fase de convencimento, de tentar entender isso, mas ainda não vivemos de fato essa filosofia.

Aqui, diferentemente e felizmente, isso não é dito, é simplesmente sentido.

Pelo menos foi essa impressão que eu tive, já que eu não entendo nada ainda do que eles dizem por aqui.

* Se você teve alguma impressão diferente, por favor, comente.
** Segue o vídeo da minha luta. Caso não consiga abrir, clique aqui.

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