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(JP) Variadas, Blog da Japa, Hot

Minha estreia no profissional e o porquê eu decidi lutar

Primeiramente, peço licença na série de entrevistas com promotores de eventos para esse post aqui.

Bem menos interessante para o Muaythai, mas a vontade de partilhar alguns pensamentos me fez achar válido esse texto.

Ontem fiz minha 11ª luta, minha primeira no profissional.

Como toda luta, ansiedade. Como toda estreia, nervosismo.

Desde que a possibilidade de lutar pró surgiu, a minha única preocupação era quanto a retirada da cotoveleira e o risco de tomar algum corte. Um medo bobo, eu sei. Mas juro, não pela dor que poderia causar, ou por alguma marca no rosto.

O meu medo é o medo de fazer feio. Medo de tomar um nocaute, de me mostrar fraca, de ser muito inferior.

Como disse acima, o post é uma vontade de partilha. Então, vou ser bem sincera.

Muitos amigos do meio me alertaram que nada mudaria: “Japa, é a mesma coisa. A única diferença é que agora você vai receber por isso. Dentro do ringue, continuam sendo duas pessoas com a mesma vontade de machucar a outra.”

E ontem eu vi que não é. É bem diferente sim.

O que eu não sabia é que a diferença não estava na cotoveleira em si. A diferença estava no nível técnico e tático da minha oponente.

Um outro amigo meu, irmão mesmo, confessou para mim que achava que não era minha hora de fazer essa luta.

Ok, pensei… mas quando seria então?

Eu odeio perder. Respeito máximo pela minha adversária, não estou a subestimando, mas eu não lido bem com a derrota e chorei. O mérito foi todo dela de ser melhor que eu.

Depois de chorar, conversar com umas pessoas, pensei comigo mesma: E quando seria essa hora?

Ok, é necessário saber casar lutas, mas como saber a hora exata? Tem como saber sem arriscar?

A gente também tem que se por a prova, não tem?

Se por um segundo eu concordei com ele, agora eu acho que fizemos (eu e minha equipe) o certo. Sair da zona de conforto faz parte da evolução.

Reconhecer as dificuldades e encarar que cada passo é necessário pra chegar em qualquer lugar faz parte de uma coisa chamada aprendizado.

Apreender dentro de mim, inclusive, o porquê eu estou vivendo tudo isso.

A vida, as vezes, é engraçada.

Ontem, no Heart of Fighters, eu fiz a Super luta da noite e a luta que fechou o evento foi a do tailandês New Thongrop contra o Daivid Henrique da Gardenal Fight Team (não entrarei em detalhes dessa luta neste post).

A ironia é que Thongrop é filho do Nuch.

Nuch é um ex lutador e treinador tailandês, reside em Koh Samui, seu ginásio fica na sua casa, onde eu tive o prazer de treinar por 1 semana há dois anos atrás.

Eu e o Nuch em seu ginásio em Koh Samui, Tailândia

Ele me levava no estádio da ilha, o Petchbuncha Stadium, e foi lá que eu decidi lutar. Já contei isso aqui?

Que, enquanto eu estava no vestiário vendo os atletas fazendo a mão e se aquecendo tranquilamente e, principalmente, quando eles voltavam tranquilos após vitória ou derrota, eu pensei: “Ah, se muaythai é isso, eu quero lutar também”.

E não foi só isso. Foi ter observado uma gringa, talvez polonesa, sozinha e tranquila para lutar. Subiu no ringue, e lutou. Perdeu bem, o rosto dela já estava vermelho e mesmo assim, ela não parava de andar pra frente. Estilo tanque de guerra.

Entendi que o que existe é não desistir.

Concretizei o pensamento anterior: “Se Muaythai é isso, eu quero mesmo.”

Nuch fazendo a mão do Vinicius Zani e a polonesa no fundo
Nuch e Vini no vestiário do Petchbuncha Stadium

A ironia é que 2 anos depois de ter vivido essa experiência com ele lá, ele estava aqui na minha primeira luta profissional e me fez lembrar o porquê eu decidi entrar nessa vida.

Eu e o Nuch, ontem, no Heart of Fighters

Eu odeio perder, odeio. O Muaythai me mostrou que eu tenho um ego gigante que odeia ser ferido e que sim, eu sou competitiva.

Mas, olhando pra trás, foi justamente o contrário que me colocou pra dentro dessa vida…

Então, como fazer pra mudar isso dentro de mim?

Vamos trabalhar o corpo, e também a mente.

Vamos olhar pra frente, e também pra trás –  pra não esquecer o que me trouxe até aqui.

 

 

 

 

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