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A valorização dos atletas na atualidade Pt 1 – Entrevista com Diogo Bernardes

Olha, muitas coisas me trouxeram a esta postagem.

Uma delas, talvez a principal, é que eu farei minha estreia no profissional em breve contra a atleta Jaqueline Oliveira. Com isso, alguns pensamentos novos surgiram em minha cabeça, por exemplo: “Caraca, vou fazer uma luta sem cotoveleira…” e, obviamente, sobre a bolsa.

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Cartaz da minha próxima luta no evento Heart of Fighters

Ouço muitos atletas comentarem sobre o valor pago para que lutem e na grande maioria estão insatisfeitos. 

Pudera, eu mesma quando comecei a conviver com atletas também achei as bolsas mais baixas do que eu imaginava e do que acho justo.

Na semana que passou, Ricardo Pacheco, um dos donos da minha equipe, a Omnoi Muaythai Gym 2015, lutou um dos eventos mais importantes que acontecera no Brasil, o Elite Fight Night, e publicou a seguinte nota no dia seguinte:

(…)a realidade é, pela primeira vez na vida, depois de 81 lutas, senti minha profissão valorizada, monetariamente falando. Entendo que a organização é muito mais estruturada, vem de fora, portanto o investimento é muito maior. Porém NÃO EXISTE querer pagar bolsa de fome pra atleta de alto nível. Isso é o maior tiro no pé que os eventos fazem pelo esporte. Quer crescer o esporte? Quer crescer seu evento? Quer ganhar dinheiro fazendo evento? Contrata atleta de qualidade, paga o que eles valem”.

Pois bem, não é muito difícil juntar 1 + 1 para saber que não é fácil viver de esporte no Brasil, e vários fatores influenciam ao planejar e executar um evento. E assim, consecutivamente, na valorização do atleta.

Esta minha luta mesmo, a primeira profissional, estava programada para acontecer no dia 3 de julho. Ela já foi casada em 3 eventos diferentes – juro, esta é a 4ª tentativa – e sei que desses eventos, duas oportunidades foram canceladas por falta de recursos financeiros.

Então resolvi bater papo com 5 promotores de eventos para entender melhor como se pensa a valorização do atleta.

São eles: Diogo Bernardes, do Heart of Fighters, evento que começou em São Vicente mas tem uma característica de ser itinerante e a terceira edição acontecerá em Suzano, minha próxima luta.
Fabaum Damásio do Portuários Stadium (Santos), Marcelo Calegari da FEPLAM (São Paulo), Gabriel Matoso do Litorânios Stadium (Natal) e Adriano Souza  do Attack Fight (RS).

O que você precisa saber é que o post ficou muito longo, então eu decidi dividir as entrevistas.

Cada dia, um post. Cada post, uma entrevista.

Outra coisa é que eu gostei muito de escrever sobre isso e entender um pouco como funciona o pensamento desses caras que são peças fundamentais para que o Muaythai aconteça e evolua no nosso país.

Talvez, ao fim da série das 5 entrevistas, tenhamos um parecer amplo do cenário nacional. Vocês poderão me dizer!

Começarei com Diogo Bernardes, quem me convidou para lutar na terceira edição do Heart of Fighters.

Depois da entrevista só posso dizer que fiquei muito honrada já que ele mesmo me fala que sempre tenta escalar apenas atletas com muito coração para seus eventos.

Confira!

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Diogo começou a reparar que as melhores lutas, aquelas que levantavam o público, eram as que já começavam em guerra no primeiro round. Ele também ouvia a galera comentando sobre lutadores com coração, aqueles que independente se estiver perdendo a luta estarão batalhando, caminhando pra frente e buscando a virada.

Como essas lutas eram as mais emocionantes, decidiu criar um evento com esse nome: HEART OF FIGHTERS e selecionar atletas que se enquadravam nesse tipo de perfil: que faz guerra do primeiro ao quinto round.

A intenção de cada edição é sempre a mesma: poder aumentar o cenário do Muaythai.

Blog da Japa: Qual a maior preocupação quando você planeja um evento?

Diogo Bernardes: Bom, a maior preocupação é sempre os atletas porque são eles que fazem o evento acontecer. São eles que dão o show lá em cima, que se preparam 1 mês ou talvez mais para aquele evento, então temos que valorizar muitos esses atletas.

Todos sabem que no Brasil, a falta de apoio ao esporte é muito grande. Não temos patrocínios para os eventos, o que temos é ajuda de um amigo aqui, outro ali, mas precisamos de mais para poder valorizar esses atletas. Então eu sempre procuro um jeito de ajudá-los.

Meus eventos são um dos eventos com o menor valor de bilheteria do Brasil, mas eu mesmo assim procuro dar cerca de 40% do valor de cada ingresso para o atleta, dessa forma eles também me ajudam a realizar o evento, porque quanto mais ingresso eles venderem, mais público terá no evento e mais eles ganham. Então, eu acho muito bacana.

No meu último evento, os atletas receberam 10 reais de cada ingresso vendido. Teve atletas amadores que conseguiram receber R$700,00, outros R$400,00 e assim vai.

E fora que sempre consigo kits de suplementos, vale tatuagem (que pode ser vendida caso não queira tatuar). Faço de tudo para poder agradá-los.

BJ: Qual a maior dificuldade que você encontra para executar o planejamento?

DB: Bom, a maior dificuldade de fazer eventos com certeza é a falta de apoio. Temos que trabalhar duro para conseguir realizar um evento.

Graças a Deus, tenho um amigo chamado Elso Orelha que me dá o maior suporte nos meus eventos, com certeza se ele não tivesse comigo seria impossível realizá-los.

Antes, nos nossos primeiros eventos, nós contávamos com a ajuda da prefeitura com local, anbulância, troféus, mas nossos 2 últimos eventos não tivemos nenhuma ajuda e para não cair o evento ele tirou dinheiro de seu bolso, bancou o ringue, conseguimos apoios para outros gastos.

Então com certeza se eu não tivesse o apoio dele, não teria evento.

BJ: Como você pensa a bolsa de um atleta?

DB: Então, eu procuro valorizar o atleta ao máximo dentro do meu alcance. Não acho que pago uma bolsa baixa para os lutadores por ser um evento sem patrocínios e sem nenhum tipo de ajuda da prefeitura.

Como eu falei, todos os atletas no meu evento conseguem ganhar alguma coisa, um mais outros menos, mas sempre alguma coisa.

Eu procuro pagar nas lutas profissionais sempre uma parte em ingresso e outra em dinheiro para chegar num valor legal, mas ainda não é o ideal.

Mas acredito que dentro das condições que eu tenho, até pago uma bolsa boa para os atletas.

A galera não reclama quando eu convido para o evento com o valor da bolsa. Alguns, às vezes, como são de longe falam sobre a parte em ingresso por não conseguir vender para ajudar na bolsa, mas aí conseguimos dar um jeito para ajudar a galera sempre.

BJ: Você sempre consegue pagar o que acha justo? Se não, pensa em outra forma de valorizá-lo?

DB: Então, algumas lutas sim e outras não. Acho que o atleta mereceria um valor maior, mas como falei, dentro das condições fica difícil. Acredito que a bolsa que pago não são baixas.

Cada atleta tem um valor, e procuro manter isso.

Além do valor em cima dos ingressos, as premiações, troféus e sempre trabalhando para valorizar mais ainda.

Estou pensando em dar para os atletas das lutas profissionais as faixas e esparadrapos que custam um valor alto e muitos tiram do próprio bolso pra comprar. E também outras coisas que sempre trabalhamos para poder acrescentar para eles. Mas é tudo com seu tempo.

BJ: Você comentou que cada atleta tem seu valor. Explique um pouco melhor isso e me diga se há diferença entre valores de lutas masculinas e femininas.

DB: Eu procuro ver qual a história dele no esporte, seu cartel de lutas, há quanto tempo luta, se é um dos tops da categoria, sua forma de lutar. Procuro analisar tudo isso. E depende também contra quem ele vai lutar.

É igual um jogador de futebol, cada um tem seu valor e em qualquer esporte funciona da mesma forma.

E quanto a luta feminina e masculina, não. Eu vejo da mesma forma.

O que acontece também em meus eventos é que quando eu já estou com o card montado, vem algum amigo treinador pedir luta para seu atleta. Aí eu comunico que o card está completo e estou no limite de gastos. Mas às vezes por consideração a pessoa, eu fecho a luta, explico que não posso pagar uma bolsa que pagaria mas estou abrindo esta vaga por consideração. Aí combinamos um valor.

BJ: Para terminar, por que fazer eventos?

DB: Eu faço eventos por amor ao esporte mesmo, para poder divulgar o esporte, ajudar os atletas com algo, seja divulgação, premiação, algo que possa ajudar na carreira deles.

Não faço por dinheiro porque evento não dá dinheiro.

Às vezes sobre uma grana, mas nada que compense o trabalho durante 3 meses batalhando para fazer o evento acontecer.

Faço porque na minha cidade não tem eventos de Muaythai e a ideia agora é levar para outras cidades, principalmente as que também não tem.

Muito obrigada, Diogo! 

Deixo aqui o convite para o Heat of Fighters III edição e para o próximo post!

Nele, vamos entender como o primeiro estádio de Muaythai do Brasil, o Portuários Stadium, pensa sobre valorização dos atletas.

Aguardem! 🙂

Um beijo a todos,

Japa.

 

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