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Hot, Muay Thai no Brasil, Sobre Muay Thai

Se o muaythai acabar, a culpa também será sua.

Por Tiago Simão.

O título chamou sua atenção, né? Confesso que usei um pouco de clickbait*, porém foi necessário.

Estamos experimentando um crescimento inédito do esporte no Brasil, são canais no youtube, sites, blogs, facebook, instagram, várias fontes de informação de graça para você. E isso é ótimo, além de cada vez mais eventos com estrutura descente e preocupada com o atleta.

Porém ao mesmo tempo há muita falta de informação ou apenas burrice mesmo. Vamos explicar melhor.

 

Picaretas por todas as partes.

Esse assunto já não deveria ser mais problema, há bons artigos sobre isso aqui no site do Acervo Thai, o picareta basicamente é a pessoa que nunca estudou muaythai de verdade, mas você irá pagar ele para que ele lhe ensine muaythai. Sentiu-se meio burro? Ótimo, já é um começo.

Sou Grau Preto, chamem o tong Po* que irei derrotá-lo.

Honestamente sou a favor da graduação interna, aquela onde uma equipe séria irá qualificar seus alunos comerciais para incentivar a prática de quem não busca competir. Não vejo o porquê de um lutador ser graduado sendo que para lutar profissionalmente não há critério algum para isso.

A grande questão, claro é a venda de graduação, em três anos é possível conseguir um grau preto, e pronto, você está treinado para qualquer coisa, só que não.

Recentemente vi alguns vídeos de graduações, algumas até com um número grande de pessoas, porém sem critério, são pessoas se batendo, parecendo briga de bar, algumas saem machucadas e pronto, afinal “muaythai é porradaria, sangue e morte”. Entendeu a ironia, né?

 

A Real competência de quem ensina.

Chegamos ao ponto que realmente me deixa frustrado. Hoje há excelentes treinadores em vários cantos do Brasil, alguns são Árbitros e Juízes, ex-campeões, são pessoas que realmente entendem do esporte. Vivem isso a anos, já viajaram à Tailândia, se dedicam isso. Mas o que vejo por ai em grandes academias de forma geral são pessoas não qualificadas, passando um treino com mistura de cross-fit, aeróbico e axé-thai (quando você não é corrigido em nada, e fica igual tonto batendo nas coisas).

Ótimos treinadores estão praticamente escondidos, ou não interessados no grande comercial, enquanto o professor axé-thai está por ai postando vídeos e angariando mais pessoas a pagarem graduação para aprender pendulo.

Não se trata apenas de federações/confederações pois acredito que algumas fazem um trabalho Ok, porém há entidade que tem o objetivo do lucro, e vendem certificados e graduações como pão em padaria.

 

Cross-Fit e a lição a aprender.

Não vou criticar o esporte, não sou médico nem fisioterapeuta, apesar de saber de toda a discussão sobre o tema. O que trago aqui é algo a parte, o ”Cross” para os íntimos ensina algo muito valioso, todo aluno aprende a cultura do esporte, ele se envolve, faz parte de algo, e isso faz o esporte crescer, enquanto o muaythai é visto apenas como algo para emagrecer que dá soco e chute.

 

Não deixem o Muaythai morrer.

Que toda aula comercial tenha informações sobre o esporte, que o professor/treinador tire dúvidas, que haja eventos respeitando regras e lutadores, e que acima de tudo que haja academias/cidades/ alunos interessados em aprender com quem realmente estuda o esporte. Acredite em mim, sei como é ruim, poucos sabem mas sou do interior de SP e é triste ver a total falta de oportunidade.

 

Notas do editor:

*Clickbait é um termo comum usado na internet para matérias sensacionalistas, que buscam apenas o click para gerar visualização e receita.

Tong Po foi um personagem interpretado pelo ator Michel Qissi no filme de 1989 chamado “Kickboxer” estrelado por Jean Claude Van Damme (sobre o filme).

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