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Hot, Sobre Muay Thai

É verdade que lutadores morrem com freqüência na Tailândia?

Tiago Simão.

No final de 2016 recebi várias perguntas via rede social a respeito de textos divulgados no Facebook sobre o índice de mortes na Tailândia em decorrência da prática do Muaythai. Procurei a íntegra de um dos textos citados para entender qual eram as referências, as fontes e motivos da publicação.

Infelizmente o texto não apresentava fonte de pesquisa, nem material para consulta, porém me chamou a atenção já que ele alegava que no Brasil não poderia ser seguido à regra oficial do muaythai chamada de “tradicional”, pois ela levava ao óbito com freqüência seus lutadores, porém devido à Tailândia ser um país 95% Budista isso não era considerado grave ou até mesmo crime.

Portanto devido a essa “mortalidade” o texto alegava que as regras no Brasil deveriam ser outras, adaptadas, afinal nenhum esporte tem o objetivo de causar nenhuma fatalidade.

Hoje estou na Tailândia, morando e treinando em um campo de muaythai tradicional, a 13 Coins Muaythai Gym, local onde já passaram Saenchai, Sangmanee e hoje conta com Puekon (melhor lutador do ano 2016). Resolvi pesquisar a fundo esse assunto.

Os casos mais recentes são do lutador Luktoy F.A Group*, e “Jordan Coe“. Ambos, porém não estão ligados a luta em si.

Thanong Poompanich

Tive a honra de conhecer e conversar com Thanong Poompanich, eleito seis vezes o melhor juiz de muaythai da Tailândia. Sabia que o assunto era delicado, mas expliquei a Thanong que sou editor-chefe de um portal sobre o esporte e precisava esclarecer isso para não manchar o nome do muaythai, de forma gentil Thanong conversou comigo.

Entre perguntas sobre regras, julgamentos e lutadores, Thanong me contou que trabalha como Juiz a mais de 30 anos e nunca viu um caso de óbito em cima do ringue ou até mesmo após uma luta.

Durante meu encontro com Thanong tive o prazer de conhecer o jornalista Ali Maluleem responsável pelo Muay Siam.

O jornal de maior circulação hoje na Tailândia sobre muaythai, o assunto também entrou em pauta com Ali, e novamente a afirmação que nos últimos 30 anos não houve registro de óbito em decorrência do muaythai.

Você pode argumentar que um juiz renomado tailandês assim como um jornalista nunca iria confirmar algo delicado assim a um estrangeiro, concordo. Pensando nisso tive acesso aos registros médicos do Estádio Lumpinee, são quase 60 anos de registros detalhados sobre cortes, condições médicas e suspensões, assim como todos os resultados de lutas.

Livro de registro médico Lumpinee Boxing Stadium.

Pedi ajuda na tradução dos registros ao amigo Paulo Kawai, e novamente não havia nada que resultasse em óbito, os últimos registros oficiais são do ano 1971 onde três lutadores teriam morrido em decorrência de nocautes, após esse período não há mais registros de óbito.

Nessa conta é claro que não entram lutas de bares com estrangeiros bêbados, lutas clandestinas ou organizadas em lugares suspeitos ou que não respeitam o básico de regras e assistência médica.

De fato muito no Brasil é falado para justificar atitudes que beiram o estelionato, o Muaythai Profissional possui apenas uma regra, mesmo entidades internacionais como a W.P.M.F e a W.M.C ambas reconhecidas pelo governo Tailândes em seus respectivos sites confirmam tudo.

Se não segue a regra profissional, ou é muaythai amador (outro esporte), ou é kickboxing. Não existe “regra asiática”, não existe “Muaythai Regra K1”, aliás “K1 ” é marca registrada, evento criado em 1993 e não um estilo de luta.

Mas sou democrático, o espaço está aberto para questionamentos, caso você tenha como provar mortes ou até mesmo a existência de outra regra dentro do muaythai profissional, por favor, entre em contato. Caso contrário você é apenas um mentiroso, possível estelionatário passível de processo judicial.

O Muaythai no Brasil está mudando.

 

*Luktoy FA Group: Morto em 12/09/2016 decorrente de um AVC durante os treinos, e não obedecer à ordem médica de descanso de lutas de 45 dias.

Consultoria: Paulo Kawai ,  Muay-Siam Magazine,  Thanong Poompanich.

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